Igreja Católica se irrita com membros que revelaram seus segredos podres
Vaticano critica "lobos" que divulgaram segredos
Por Philip Pullella
CIDADE DO VATICANO, 15 Fev (Reuters) - O jornal oficial do Vaticano sugeriu na quarta-feira que os responsáveis pela divulgação de documentos internos sigilosos com acusações de corrupção e acobertamento são "lobos" indignos e irresponsáveis, em mais um capítulo do caso que ficou conhecido como "Vatileaks".
Mas o Osservatore Romano disse em seu editorial que o escândalo é uma oportunidade para que a Igreja Católica se purifique.
Num texto por ocasião do 30o aniversário da chegada a Roma do cardeal Joseph Ratzinger -o atual papa Bento 16-, o jornal da Santa Sé disse que o pontífice é um homem que "não é parado por lobos", e que está preparado para enfrentar o "comportamento irresponsável e indigno". Uma fonte familiarizada com a linha editorial do jornal confirmou que se tratava de uma alusão aos responsáveis pelos vazamentos.
Os porta-vozes do Vaticano têm tido muito trabalho para explicar fatos como as cartas de um arcebispo que foi transferido depois de denunciar uma suposta rede de corrupção e clientelismo, um memorando com comentários negativos sobre vários cardeais, e novas suspeitas sobre o banco da Santa Sé.
Alguns dizem que esses vazamentos são parte de uma disputa interna de poder, mas o editorial diz que a Igreja deve ver o caso como uma oportunidade para a sua renovação.
O texto diz que "o comportamento irresponsável e indigno... acaba entrelaçado ao barulho da mídia, o qual é inevitável e certamente não desinteressado, mas que precisamos ver como uma ocasião para a purificação da Igreja".
Os vazamentos ocorrem num momento constrangedor -nesta semana terá lugar um consistório, cerimônia habitualmente alegre, no qual o papa nomeia mais prelados para o Colégio de Cardeais, o grupo que escolherá o novo pontífice quando Bento 16 morrer.
A atual crise começou no mês passado, quando um programa investigativo de TV mostrou cartas particulares do arcebispo Carlo Maria Vigano, ex-vice-governador da Cidade do Vaticano e atual núncio apostólico nos EUA, que tinham como destinatários o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, e o próprio papa.
As cartas mostravam que Vigano foi transferido depois de expor o que ele dizia ser uma rede de corrupção, nepotismo e clientelismo na concessão de contratos oficiais com preços inflacionados.
Outros vazamentos dizem respeito ao banco do Vaticano, que tenta se livrar de um passado de escândalos que inclui a quebra, há 30 anos, do Banco Ambrosiano.
O banco do Vaticano, oficialmente chamado de Instituto para Obras Religiosas (IOR), promete se adequar até junho a regras da União Europeia sobre a transparência financeira.
Mas o jornal Il Fatto Quotidiano, que publicou a maioria dos documentos vazados sobre o banco, divulgou na quarta-feira mais cartas mostrando uma suposta disputa interna sobre até que ponto o banco deve ser transparente sobre suas transações do passado.
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