VATICANO - PARAÍSO DA PEDOFILIA
Mais de 10 mil menores sofreram abusos sexuais de religiosos na Holanda
Haia, 16 dez (EFE).- Entre 10 mil e 20 mil menores holandeses sofreram abusos sexuais por parte de religiosos católicos desde 1945, uma prática que era mantida por uma hierarquia eclesiástica cuja maior preocupação era evitar o escândalo.
Esta é a principal conclusão apresentada nesta sexta-feira pela comissão independente, dirigida pelo ex-ministro Wim Deetman, cuja equipe averiguou os casos de abusos de menores no seio da Igreja Católica desde agosto de 2010.
Após identificar 800 supostos autores, dos quais 105 seguem vivos, a comissão concluiu que os abusos realizados em orfanatos, seminários e internados, variavam desde um simples contato físico até penetrações (cerca de 1.000).
Sem esconder sua comoção por estas conclusões, Deetman indicou em entrevista coletiva que o 'risco de sofrer abusos sexuais era duas vezes maior nos internatos' do que em outras instâncias educativas.
Segundo a comissão, os abusos também ocorriam fora dos círculos religiosos, já que um entre cada dez holandeses acima dos 40 anos sofreu este tipo de violência antes de completar 18 anos. Na grande maioria dos casos, os abusos eram cometidos por pessoas alheia à família.
'Embora as porcentagens pareçam baixas, falamos de números absolutamente de grande alcance', enfatizou Deetman, que qualificou as revelações do relatório como 'tristes e frustrantes'.
Embora a comissão tenha averiguado os casos de abusos de 1945 até 2010, o número absoluto indicado corresponde ao período compreendido entre 1945 e 1981, já que esses centros religiosos eram mais comuns neste período.
O representante das vítimas, Guido Klavers, declarou à imprensa que os dados 'são desconcertantes para todo o mundo' e 'as conclusões são muito mais impactantes do que se esperava'.
'O tempo de somente falar acabou. Agora, é preciso se concentrar na recuperação das vidas das vítimas', completou Klavers.
Após pedir desculpas pelos abusos e mostrar seu arrependimento, o arcebispo de Utrecht, Wim Eijk, reconheceu que os números são 'impressionantes' e enfatizou que a Conferência Episcopal sente vergonha por estar envolvida neste tipo de prática.
O relatório publicado nesta sexta-feira supõe um golpe para a Igreja Católica holandesa, já que constata que essa instituição foi regida nas últimas décadas pela lei do silêncio, apesar dos casos de abusos já serem conhecidos pelos mesmos.
'A atenção ao tema recaía mais sobre os autores que sobre as vítimas (...) e, para evitar escândalos, não se aplicaram medidas para solucionar e reconhecer o problema, muito menos para oferecer ajuda às vítimas', indica o documento.
Quando as denuncias sobre os abusos chegavam aos ouvidos dos superiores, 'a medida generalizada era a transferência, eventualmente para o estrangeiro. Porém, não havia expulsão da ordem', acrescenta.
Durante a apresentação do relatório, Deetman especificou que o celibato 'não constituiu um fator determinante' na hora de cometer abusos sexuais, mas reconheceu que foi um fator para o aumento dessa possibilidade.
Deetman também esclareceu que 'não tornará públicos os dados individuais' e explicou que as informações obtidas não constituem, em princípio, 'uma fonte de provas jurídicas'.
Perguntado sobre o que as vítimas devem fazer após a divulgação do relatório, o ex-ministro respondeu que 'as indenizações são essenciais', da mesma forma que um atendimento especializado.
No inicio do mês de novembro, a Igreja Católica holandesa aceitou pagar indenizações de entre 5 mil e 25 mil euros (100.000 para os casos mais graves) às vítimas destes abusos, incluindo os casos nos quais o delito já tenha sido prescrito.
O relatório provisório da comissão, divulgado há um ano, já assinalava que tinha recebido um total de 1.975 denúncias e criticava o funcionamento da entidade criada pela Conferência Episcopal para ajudar às vítimas.
Os números divulgados nesta sexta-feira são baseados nessas denúncias e na análise de arquivos da Igreja Católica, além de entrevistas diretas com afetados, segundo Deetman.
Após uma ampla série de denúncias de abusos sexuais por parte de religiosos, a comissão foi criada pela própria Igreja Católica em março de 2010.
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